terça-feira, 3 de setembro de 2013

Conheça o Editorial


A censura ainda está entre nós

Muitos acreditam que a censura já não existe mais em nosso país. Ledo engano! Quem atua na área sabe muito bem que o que os donos de veículos de comunicação mais gostam de fazer é impor limites a seus subordinados, para que não falem a mais, ou aquilo que não lhes é conveniente, a fim de comprometê-los financeiramente.

Na verdade, não são muitos os proprietários da comunicação que estão realmente preocupados com uma revolução social, e que disponibilizam espaço em suas programações para que ela ocorra.

A censura não deixou de existir. Ela está escondida
Na maioria dos casos estes empresários estão preocupados com lucros, nem que isto implique em censura. Não sou contra o lucro. Pelo contrário, o lucro deve existir.

Mas, na minha opinião, veículo de comunicação, especialmente rádio e televisão com concessão pública, deveria disponibilizar ao público aquilo que é de interesse dele.

Além disso, seria importante que os meios de comunicação fossem livres e independentes.

Pode-se contar nos dedos os empresários honestos e que têm este comprometimento com a comunidade.

E você, também acredita que a censura ainda está entre nós, e que ela permanecerá aqui por muito tempo?

O primeiro jornal diário do mundo

O texto disponibilizado para download hoje é um capítulo do livro Sotaques d’Aquém e d’Além Mar – Percursos e Gêneros do Jornalismo Português e Brasileiro, do teórico Manuel Carlos Chaparro.

Com o título: Desmistificando o velho paradigma – Jornalismo não se divide em opinião e informação o capítulo aborda de uma maneira bem simples a história do surgimento do primeiro jornal diário do mundo.


O primeiro jornal do mundo surgiu na Europa, em 1702

Segundo o autor, o primeiro jornal diário no mundo de natureza política foi o inglês The Daily Courant, fundado em 1702, na Europa.

Este periódico tem um valor histórico muito grande, não só por ter sido o primeiro a surgir, mas também pela revolução que ele proporcionou ao jornalismo mundial, permitindo que a forma de apresentação da informação pudesse ser como o é hoje.

Basicamente, o surgimento do The Daily Courant se deu para noticiar os acontecimentos políticos e informações “das chamadas ‘Guerras de Malborough’”.

Mas já no início de suas atividades ele passava por problemas financeiros, o que levou a sua fundadora, Elizabeth Mallet, a contratar o jornalista Samuel Buckley para salvar o diário, e ele tratou de reformular a maneira com a qual o periódico tratava as notícias.

Tendo como base a ideia de que os leitores seriam capazes de absorver as informações e tirar suas próprias conclusões, Buckley sugeriu – e implantou – que o conteúdo do The Daily Courant fosse apresentado da seguinte maneira: de um lado as informações e as opiniões de outro.

Desta maneira, o jornalista queria impedir que as notícias fossem poluídas, ou que sofressem alterações com a opinião dos profissionais que produziam as matérias para o diário. Além disso, passou a se ter um controle maior durante a apuração do material, principalmente na escolha das fontes.

Esta iniciativa deu a Buckley o título de primeiro jornalista a se preocupar com a precisão dos fatos, por ter introduzido no jornalismo o conceito da objetividade, através da produção e divulgação de notícias como informações, sem a presença de opiniões e comentários.

Para ter acesso ao capítulo, clique aqui.

Para parar e pensar…

Depois que Luiz Carlos Prates foi demitido do Grupo RBS, e foi contratado pelo Grupo SCC, muitas informações circularam na web.

Todo esse “rebuliço” fez meu amigo Bryan Fróis, de Florianópolis, me enviar um e-mail, onde descreve que o acontecido o fez lembrar de um pequeno artigo de Reinaldo Azevedo, da Revista Veja, e que agora compartilho com vocês.

“Não te leio mais”

Ok. É do jogo. Alguém já me viu aqui a recorrer àquele truque vigarista de estimular os leitores a dizer primeiro o que pensam para que eu, “como cachorro de sarjeta,  saia atrás do batalhão”, para lembrar música antiga? No dia em que eu deixar de dizer o que penso porque “vão me levar a mal”, fecho o blog, vou fazer outra coisa. Não tenho milhares de leitores, muitos milhares, porque puxo o saco de pensamentos influentes, de um ou de outro lado.

Reinaldo Azevedo afirma que as opiniões dele não são expressas para agradar à todos. Ele enfatiza que quem quer ler o que lhe agrada, deve criar um espaço particular, e cultuar de forma individual as próprias opiniões.

Quem frequenta o blog na expectativa de que SÓ VAI LER coisas com as quais concorda não quer ler o blog, mas a si mesmo. Recomendo que crie a própria página e passe a adorá-la, todos os dias, como se fosse um altar de verdades reveladas. Comigo, não, violão!


Este artigo de Reinaldo de Azevedo pode ser encontrado no site da Revista Veja. Para acessar a página, clique aqui.

Livro Indicado

Para Luiz Beltrão antes de opinar é preciso interpretar
Título: Jornalismo Interpretativo
Autor: Luiz Beltrão
Editora: Sulina-Ari
Ano: 1980
Local: Porto Alegre – RS

Para construir textos opinativos é preciso que você saiba interpretar os fatos. E para isso recomendo a leitura do livro Jornalismo Interpretativo, de Luiz Beltrão.

A obra, publicada em 1976, e depois em 1980, explica detalhadamente os caminhos que devem ser seguidos pelo jornalista para interpretar os acontecimentos e repassá-los ao público.

Para Beltrão, o Jornalismo Interpretativo consiste em transmitir à audiência não somente o fato de maneira simples e objetiva, mas analisar os dados colhidos durante o trabalho jornalístico e selecionar as que são mais significantes à população.

No livro, o professor explica que a “opinião nasce do conhecimento de fatos e situações”. E esse entendimento dos acontecimentos surge da interpretação dos fatos.

Para baixar o resumo que fiz do livro (em PDF) para você que não encontrou o livro para comprar, alugar, ou que não tem tempo de lê-lo por completo, clique aqui.

Entrevista com José Marques de Melo

Hoje o site Jornalismo Opinativo inicia uma série de reportagens sobre o tema, para que desta forma você possa compreender melhor o assunto.

No primeiro programete você vai conferir uma entrevista com o primeiro Doutor em Jornalismo do Brasil, José Marques de Melo, que é autor de diversos livros sobre o jornalismo, e também a respeito dos gêneros jornalísticos.

Melo é autor do livro Jornalismo Opinativo – gêneros opinativos no jornalismo brasileiro, que é uma obra muito completa e interessante sobre o jornalismo opinativo.

A entrevista foi gravada em Curitiba, no dia 06 de setembro de 2009, durante o XXXII Congresso Brasileiro De Ciências Da Comunicação.




Se você se interessou pelo tema abordado por José Marques de Melo na entrevista, clique aqui e saiba mais a respeito do livro dele que se tornou referência no estudo do Jornalismo Opinativo.


E já na próxima edição você começa a entender melhor as diferenças entre cada categoria do Jornalismo Opinativo.

Um gênero marginalizado

O Jornalismo Opinativo, não tenho dúvidas disso, é o gênero jornalístico mais desprezado de todos.

Nos cursos de Jornalismo que conheço – por informações de acadêmicos, amigos e professores – este gênero é tratado apenas como um apêndice de outras disciplinas do curso.

O professor de jornalismo da PUC de Campinas, Luiz Roberto Saviani Rey, garante que o Jornalismo Opinativo é um gênero marginalizado por acadêmicos, professores e profissionais do jornalismo.


Professores de Jornalismo reservam poucos momentos para a prática de textos opinativos em suas aulas, pois preferem trabalhar textos informativos


Segundo ele, pelo fato dos professores darem maior importância a produção de textos noticiosos durante os cursos de jornalismo, é que depois de formados estes acadêmicos serão obrigados a buscar na prática a redação de textos opinativos.


E você, também considera este gênero supérfluo e marginalizado?